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Neca Setubal: "Ser de esquerda é o que o PT faz hoje? Não sei"

A socióloga Maria Alice Setubal, conhecida como Neca, carrega em seu nome a comprovação de uma origem rica, a família do banco Itaú, do qual é uma das herdeiras. Por esse motivo, já ouviu muitas críticas desde que se tornou apoiadora de Marina Silva, hoje candidata à Presidência da República pelo PSB. Para muitos, Neca, que é coordenadora do programa de governo de Marina, representa a influência das instituições financeiras na postulação da ex-senadora.
Em entrevista ao jornalista José Fucs, da revista Época (leia aqui), ela conta ter orgulho de sua família e de seu pai, Olavo Setubal, mas acredita que seu currículo não deve ser resumido a isso. "Tenho uma história, uma legitimidade e, hoje, tenho muito mais segurança e tranquilidade para lidar com essa questão", afirma, ressaltando que sempre trabalhou nas áreas de educação e social e que nunca ocupou um cargo no banco.
Neca diz ter ficado "encantada" quando conheceu Marina Silva. "Ela escuta muito. Sempre se diz que ela é intolerante, intransigente e não dialoga. Mas ela escuta as pessoas. Isso não quer dizer que ela seja alguém que demore séculos para tomar uma decisão. Como você viu nos debates, ela é uma pessoa que toma decisão de bate-pronto. Tem convicções firmes, e isso às vezes é confundido com intransigência, mas não é", descreve a amiga.
A apoiadora de Marina Silva diz ser admiradora dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso – para ela, o tucano "está muito à frente do PSDB" – e Lula – "acho que ele fez o Brasil mudar". Sobre o petista, no entanto, acredita que "continua com o mesmo discurso de 2010. Não percebeu que o mundo mudou, e o Brasil também. Lula ainda pensa a política por meio das grandes estruturas, que são as estruturas sindicais, político-partidárias. Não consegue perceber que há algo maior hoje, embora ainda seja difuso".
Sobre a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, pelo PT, opina: "Dilma é o oposto de Marina. Ela não ouve. Agora, é uma pessoa íntegra, que acredita na causa. Tem um compromisso com o país – dentro do modelo dela, do qual discordo – e é centralizadora". Questionada se se considerada de esquerda, responde: "Tenho um compromisso com a justiça social, com a sustentabilidade, com a liberdade, a democracia. Agora, se isso é ser de esquerda ou direita, não sei. Ser de esquerda é o que o PT faz hoje? Não sei". Neca diz "nunca ter conversado" com Marina sobre fazer parte de um eventual governo seu, mas garante: "Só sei que estarei com ela".
Do 247

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