Pular para o conteúdo principal

Os gastos sociais do governo deveriam ter um melhor direcionamento


Em todos os lugares do Brasil, seja em região rica, em cidade rica, em estado rico, sempre existem pessoas necessitando suporte do setor público para poder ter uma vida melhor e mais descente. Seja no serviço médico, na escola pública, no seguro desemprego, na aposentadoria ou até mesmo assistir a um artista cujo espetáculo tem a ajuda do governo. Em um país como o Brasil, cuja sociedade é extremamente desigual quanto à renda e à riqueza, os gastos sociais além de necessários configuram-se como justos na medida em que os menos favorecidos em termos de possuir bens, ter bons empregos e gozar de um padrão de vida razoável são os maiores beneficiários. Quais gastos do governo são considerados gastos sociais? Qual o percentual do PIB o governo gasta na área social por ano? Em que área consome a maior quantidade de recursos na área social?

Recentemente o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) divulgou um trabalho onde apresenta os valores gastos na área social pelo governo federal no período de 1995 a 2009. Pelos números apresentados, observa-se que foram gastos valores significativos no atendimento de demandas tão sensíveis da sociedade muito embora se observa que existem críticas bastante pertinentes quanto á atuação do governo nessa área, considerando que as reclamações das pessoas são praticamente constante. Em valores atualizados pelo IPCA (indicador de preços pesquisado e elaborado pelo IBGE e tido como uma medida de inflação pelo governo) os gastos sociais eram 1995 foram R$ 219,7 bilhões, correspondendo a 11,24% do PIB e em 2009 esses gastos foram de R$ 541,3 bilhões, 15,80% do PIB. Nesses 15 anos houve um aumento real de 146%. Nesse último ano, o gasto per capita com a área social foi de R$ 2.827,15.

Os maiores gastos do governo federal na área social estão na previdência social dos empregados do setor privado, correspondendo a R$ 249,9 bilhões em 2009, o que equivale a 7,28% do PIB. Em 2009, os gastos com a previdência do Regime Geral corresponderam a 46,1% de todos os gastos sociais do governo federal. Em seguida estão os gastos previdenciários e assistenciais aos empregados públicos federais, com um valor no último ano do período de R$ 81, 2 bilhões, equivalente a 2,37% do PIB e a 15% dos gastos sociais. Em terceiro lugar estão os gastos com saúde, que em 2009 foi de R$ 63,4%, correspondendo a 1,85% do PIB e a 11,7% dos gastos sociais. O quarto lugar está com os gastos com assistência social que foi de R$ 37 bilhões, correspondendo a 1,08% do PIB e a 6,8% dos gastos sociais. A educação que no último ano foi de R$ 35,3 bilhões, correspondendo a 1,03% do PIB e a 6,6% dos gastos sociais ficou em quinto lugar. Em seguida estão os gastos com emprego e defesa do trabalhador que no final do período foi de R$ 31,1 bilhões correspondendo a 0,91% do PIB.  

As outras áreas consideradas “sociais” são muito menos significativas, uma vez que o somatório de seus gastos corresponde em torno de 5% de todos os gastos desse tipo de gastos. Considerando os valores mencionados acima, percebe-se que uma parte significativa dos gastos dessa área está alocada no sistema previdenciário, o público e o privado. Correspondendo a 61% dos gastos sociais e a 9,7% do PIB. Mesmo considerando que uma grande parte desse montante é financiada pelos beneficiários quando na ativa, não deixa de ser um peso muito grande para o governo haja vista os pesados déficits que esses dois sistemas de previdência geram, obrigando o governo a cobri-los com recursos do Tesouro Nacional.

Mesmo sabendo que existe forte demanda por serviços na área da saúde, onde as pessoas que procuram atendimento médico na área pública tem um péssimo atendimento, os recurso destinados a essa área não teve majoração significativa como tiveram outras áreas, com a previdência social, por exemplo. Embora uma área bastante sensível, que é a assistencial, tenha tido um forte aumento nos últimos, é preciso que a área da saúde tenha um maior cuidado por parte do governo. Enquanto os gastos com o regime geral de previdência foram de 4,98% para 7,28% do PIB de 1995 a 2009, os gastos com saúde nesse mesmo período saltaram de 1,79% para 1,85% do PIB. Um aumento insignificante, embora tenha aumentado bastante em valores absoluto, ficou estável em termo do valor da nossa economia. Os gastos sociais deveriam ser melhor direcionamento. A magnitude dos gastos está razoável, o que falta leva-los para as áreas que dão melhores resultados em termos de melhor bem estar e criar possibilidades de geração de renda e riqueza.

Comentários

  1. Meu amigo as suas postagens são aulas de economia pública.PONTO FINAL quanto a postagem parabens mais uma vez.
    O que é lamentável em relação aos gastos sociais duas coisas a lamentar:
    1- Grande parte das verbas não chegam ao destino
    2- Só são realmente fisacalizadas e chegam ao destino aquelas que renderão votos na proxima eleição

    ResponderExcluir
  2. sou dessa classe que passa ano tudo piora ,salario continua sempre o mesmo e a cesta básica encarece cada vez mais não tenho plano de saúde e uso a rede publica então falo da que passo e não é fácil ficar numa fila pra fazer um exame ou enfrentar horas para passar em um medico, é o povo sofre .

    ResponderExcluir
  3. Bom Dia , Francisco Castro

    Excelente postagem , você com sua coerência , já nos disse tudo , não a como comentar mas nada a não ser Parabéns Excelente Postagem ...

    Abraços Carinhosos

    ResponderExcluir
  4. Parabéns pelas informações.

    O nosso maior problema está no destino final das ações sociais que deveriam ser implantadas, ou até mesmo implementadas.

    Boa sorte.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Veja quanto o juiz Sérgio Moro ganha. É dinheiro que muito poucos brasileiros ganham

Qualquer cidadão pode fazer a pesquisa no site do TRF-4. Veja abaixo. Não há aqui imputação de crime ao juiz. Mas Moro acha compatível receber remuneração muito acima do teto legal, no momento em que é transformado no “super-herói” da moralidade nacional? Rodrigo Vianna, via  Revista Fórum  em 26/8/2015 Quanto ganha o juiz que foi transformado em “herói nacional” pela Globo e pela Veja ? Apontado como moralizador da pátria, Sérgio Fernando Moro não é um super-herói. Mas um funcionário público. Deveria submeter-se às regras que valem para todos. É assim, também, que se combate corrupção: com respeito às regras. Sem escândalo. Todos os dias, todos os meses. E não apenas à frente dos holofotes midiáticos. Os advogados apontam inúmeras tropelias do magistrado: na Lava-Jato, dizem os juristas  (clique aqui para saber mais) , Moro atropela regras e impõe humilhações aos réus – tudo em nome do ideal da “moralidade pública”. Mas parece haver mais que isso… ...

Pesquisa Vox Populi mostra o Haddad na liderança com 22% das intenções de votos

Pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta quinta (13) indica: Fernando Haddad já assume a liderança da corrida presidencial, com 22% de intenção de votos. Bolsonaro tem 18%, Ciro registra 10%, Marina Silva tem 5%, Alckmin tem 4%. Brancos e nulos somam 21%. O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 121 municípios entre 7 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O índice de confiança chega a 95%. O nome de Haddad foi apresentado aos eleitores com a informação de que é apoiado por Lula. Veja no quadro: Um pouco mais da metade dos entrevistados (53%) reconhece Haddad como o candidato do ex-presidente. O petista, confirmado na terça-feira 11 como o cabeça de chapa na coligação com o PCdoB, também é o menos conhecido entre os postulantes a ocupar o Palácio do Planalto: 42% informam saber de quem se trata e outros 37% afirmam conhece-lo só de nome. O petista chega a 31% no Nordeste e tem seu pior desempenho na região Sul (11%), me...

Tiraram a Dilma e o Brasil ficou sem direitos e sem soberania

Por Gleissi Hoffimann, no 247 Apenas um ano após o afastamento definitivo da presidenta Dilma pelo Senado, o Brasil está num processo acelerado de destruição em todos os níveis. Nunca se destruiu tanto em tão pouco tempo. As primeiras vítimas foram a democracia e o sistema de representação. O golpe continuado, que se iniciou logo após as eleições de 2014, teve como primeiro alvo o voto popular, base de qualquer democracia e fonte de legitimidade do sistema político de representação. Não bastasse, os derrotados imediatamente questionaram um dos sistemas de votação mais modernos e seguros do mundo, alegando, de forma irresponsável, “só para encher o saco”, como afirmou Aécio Neves, a ocorrência de supostas fraudes. Depois, questionaram, sem nenhuma evidência empírica, as contas da presidenta eleita. Não faltaram aqueles que afirmaram que haviam perdido as eleições para uma “organização criminosa”. Essa grande ofensiva contra o voto popular, somada aos efeitos deletérios de ...