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São Paulo tem inclusão, mas também tem o ódio e o preconceito

No mesmo domingo em que o prefeito Fernando Haddad conseguiu uma importante vitória sobre os setores mais reacionários da sociedade paulistana, ao inaugurar a ciclovia da Avenida Paulista, o ex-ministro Guido Mantega foi alvo de uma agressão fascista, num restaurante de alto padrão. Os dois episódios revelam o confronto entre duas cidades: a São Paulo da inclusão e a São Paulo do ódio. Qual delas prevalecerá? (Com o 247)
Leia, abaixo, artigo de Renato Rovai, na revista Fórum, sobre a inauguração da ciclovia da Paulista:
A Paulista de hoje como símbolo da cidades das gentes
Por Renato Rovai, na revista Fórum
Há tempos a Avenida Paulista não ficava tão bonita. Tão sorridente. Tão inclusiva. Tão festiva. Tão charmosa. Tão ativista. Tão avenida Paulista que encanta gente de todos os cantos do Brasil e do mundo.
Nas disputas de cartão postal, os paulistanos sempre a elegem.
Preferem uma avenida a um monumento como o seu sonho feliz de cidade.
Gostam daquele amontoado de rostos diferentes, daquele prédios envidraçados, dos cinemas, dos bares com mesas na calçada, das vitrines e agora dos artistas de ruas e dos ambulantes com seus food trucks, que ampliaram ainda mais a afetividade das grandes calçadas.
Mas agora, no meio da Avenida símbolo tem uma ciclovia. Que a corta inteira, como uma flecha.
Que lhe apresenta uma nova veia, uma nova artéria, no coração da cidade.
É um símbolo. É simbólico.
As disputas são simbólicas e aglutinam ou separam as pessoas a partir de valores.
Quem quer a cidade dos carros, pode ficar do lado de lá.
Quem quer a cidade das gentes, por favor, venha paulistear.
Foi assim hoje.
A Paulista ficou linda, como há muito não ficava.
Tinha senhoras e senhoras,bebês, moços e moças. Tinha mesa de pingue-pongue, skatistas, patinadores e corredores. Tinha grupo de cadeirantes, palhaços, músicos e vendedores. E tinha muitos cicloativistas também.
A Paulista ficou azul, vermelha, amarela, cor de anil.
E até teve gente daquele tal MBL que foi lá pra vair a Paulista do jeito que ela estava. Porque a felicidade dos outros tem o potencial de irritação muito alto para alguns.
Mas é essa a disputa que vale a pena.
É a disputa por cada pedaço de uma cidade que é de concreto, mas que tem poesia.
E que precisa ser encarada.
Sem meias-palavras. Sem tantas concessões. Sem fazer de conta que não há disputa.
A Paulista não é a rua de alguns. É o símbolo sempre eleito pelos paulistanos.
Disputá-la e transformá-la é um caminho para a reconstrução desse sonho feliz de cidade.

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