Agência Nacional de Águas quer que Rio e São Paulo cheguem a
consenso sobre gestão de suas águas
Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro elevam o tom na maior
disputa por água de que se tem notícia no país, órgãos federais tentam apaziguar
os ânimos e evitar que o conflito chegue aos tribunais.
O temor é que uma radicalização do embate encoraja outros Estados a também
recorrer à Justiça para resolver disputas hídricas com vizinhos.
"Nosso papel é estimular um debate técnico e evitar a politização", diz à BBC
Brasil Rodrigo Flecha, superintendente de regulação da Agência Nacional de Águas
(ANA).
A ANA tem, entre suas principais funções, mediar conflitos que envolvam rios
da União, que atravessam mais de um Estado. É o caso do Paraíba do Sul, alvo do
desentendimento entre Rio e São Paulo.
Outro órgão que acompanha a disputa com atenção é o Conselho Nacional de
Recursos Hídricos (CNRH), instância máxima na gestão das águas do país.
O secretário-executivo do órgão, Ney Maranhão, diz que Rio e São Paulo
precisam chegar a um consenso quanto à gestão de suas águas.
"Os Estados precisam sentar à mesa e elaborar um sistema que seja confortável
para os dois lados", afirma Maranhão, que também é secretário de Recursos
Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
"Uma situação dessa natureza não pode ser discutida emocionalmente".
Maranhão defende ainda que agricultores usem métodos de irrigação que poupem
água e que privilegiem plantas adequadas ao clima de sua região.
Ele cita o caso do Ceará, onde lavradores costumavam plantar arroz, cultura
que exige bastante água. Com o tempo, porém, decidiram substituir as plantações
por produtos mais adaptados à região, como côco, manga e goiaba.
"Não faz sentido gastar um monte de água para produzir algo que você pode comprar de fora pagando menos."
Para o secretário, o Brasil deve ainda investir na reutilização da água, técnica que praticamente inexiste no país.
Na Califórnia, diz ele, já se testa o reaproveitamendo de água tratada de esgoto em indústrias ou para fins que não ponham a saúde humana em risco.
Outra ação prioritária, segundo Maranhão, é despoluir rios que cruzam grandes cidades.
"É inadmissível que uma cidade como São Paulo não possa usar a água do Tietê ou do Pinheiros porque estão poluídos e tenha que buscar água lá longe. Por muito tempo não protegemos nossos rios, mas agora precisamos recuperar esse passivo para o futuro."
Da BBC Brasil
"Não faz sentido gastar um monte de água para produzir algo que você pode comprar de fora pagando menos."
Para o secretário, o Brasil deve ainda investir na reutilização da água, técnica que praticamente inexiste no país.
Na Califórnia, diz ele, já se testa o reaproveitamendo de água tratada de esgoto em indústrias ou para fins que não ponham a saúde humana em risco.
Outra ação prioritária, segundo Maranhão, é despoluir rios que cruzam grandes cidades.
"É inadmissível que uma cidade como São Paulo não possa usar a água do Tietê ou do Pinheiros porque estão poluídos e tenha que buscar água lá longe. Por muito tempo não protegemos nossos rios, mas agora precisamos recuperar esse passivo para o futuro."
Da BBC Brasil
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