Uma “organização criminosa” está no governo federal deste País há mais de 11 anos e sua primeira ação dolosa contra a legislação penal ocorreu no primeiro semestre do governo Lula, em 2003, chamada de “mensalão”. Essa “organização” tinha como objetivo alimentar, com dinheiro público, mensalmente, os corruptíveis dentro do Congresso Nacional com vista a viabilizar projeto político de poder durante muitas décadas, reelegendo Lula em diversos mandatos, elegendo Zé Dirceu e sucessivos petistas ideologicamente identificados com o regime ad perpetuo do líder e companheiro Fidel Castro, em Cuba.
Para a felicidade do povo brasileiro, a ideia implodiu em face das insatisfações de alguns quadrilheiros dentro da própria “organização criminosa”. Mas a sua cúpula permanece no governo. Tanto que, por diversas vezes, o então presidente de direito, e, até hoje de fato, Lula, sempre afirmou que o chamado mensalão – “era a maior injustiça arquitetada pela oposição partidária e pela imprensa corrupta e venal deste País”. A mesma opinião externava a sucessora de Lula, que entrou no lugar de Zé Dirceu, depois que este foi denunciado pelo procurador geral da União. Para os companheiros, o decepcionante voto do ministro Celso de Melo está confirmando a opinião de Lula: “mensalão é injustiça” e nunca existiu “quadrilha organizada e criminosa”.
A celebridade que arquitetou o mensalão é a mesma que imaginou e imagina todas as ações que deveriam e devem ocorrer no julgamento dos companheiros. Todos os milésimos de centímetros foram e são minuciosamente calculados para protelar e desclassificar a existência do crime “formação de quadrilha”, álibi em defesa dos que poderiam ser condenados. E tudo está ocorrendo como programado. Quem não se recorda do que disse Lula em Paris: “o que existiu foi caixa dois. Isto existe em toda parte, no comércio e nos partidos políticos”. Portanto, tudo está caminhando para isto.
Até o ministro Celso de Melo, em seu decepcionante voto, onde só faltou citar Jesus Cristo como defensor do direito de defesa dos seus assassinos, juntou-se ao companheiro ministro Roberto Barroso, aquele que elogiou a vida de um dos condenados. O decepcionante voto do desempate nunca será peça jurídica de doutrina aconselhada pelos constitucionalistas e processualistas penais. Celso de Melo também esqueceu Rui Barbosa “A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça”. Ainda podemos lembrar Rui Barbosa – “Não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem”. E o que dizer - “De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se de justiça e ter vergonha de ser honesto.”
Por Hélder Cordeiro, jornalista
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