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Se não fosse a obrigatoriedade do voto, muito mais brasileiros deixariam de votar


A obrigatoriedade do voto é sempre tema recorrente quando de discute reforma eleitoral no Brasil. Muitas pessoas advogam da ideia de que o voto deve ser um ato voluntário de cada pessoa em idade de votar, como ocorre em muitos países. Para muita gente que se diz formadora de opinião, o fato das pessoas serem obrigadas a votar macula a democracia porque as pessoas não podem fazer a escolha entre votar e não votar. Esteja sol ou chuva, quente ou frio elas devem ir a uma seção eleitoral e escolher os seus candidatos.

Mas essa obrigatoriedade tem um valor quase simbólico quando estipula uma multa muito baixa, de quase R$ 3,50 para quem não comparece para votar nas eleições. Além disso, é dado às pessoas um prazo bastante longo para que justifiquem a ausência nas eleições. Caso não faça isso, terá alguns inconvenientes que para muita gente pode ser um preço bastante alto. Entre essas inconveniências, podem ser mencionados o fato das pessoas não poderem participar de concurso público e fazer empréstimos em bancos públicos. 

Mas isso não impede que os eleitores se interessem mais pelas eleições no país. Nas últimas eleições realizadas no dia 7 de outubro de 2012 foram registrados 16% de abstenções em todo o Brasil. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (STF), ao todo 22.736.804 eleitores deixaram de ir às urnas para escolher o futuro prefeito e os vereadores de suas cidades. Dos que compareceram, em torno de 11% votaram nulo ou em branco. Ou seja, de cada 100 eleitores, 25 deixam de escolher os seus representantes. Como sabemos, dos que anulam o voto, quase todos o fazem voluntariamente, configurando como uma rejeição ao voto por parte daquele eleitor.

Nos países onde as pessoas não são obrigadas a votar a ausência nas urnas no dia das eleições é muito grande. Em muitos deles chega a mais de 50%. É muito natural que as pessoas deixem que o futuro da cidade, do estado ou da nação nas mãos de outras pessoas. O desinteresse pelo que é coletivo está enraizado no cotidiano da maioria das pessoas. Muitos preferem ficar somente com o que lhe diz respeito diretamente: a própria pessoa, a família e alguns amigos. 

Neste 28 de outubro de 2012, quando mais de 31 milhões de eleitores irão escolher os prefeitos de 50 cidades no Brasil, sendo que 17 são capitais, a responsabilidade de escolher bem não deve ser deixada para os outros. Todos devem comparecer às urnas e votar. Independentemente do voto ser obrigatório ou não, as pessoas devem comparecer e votar corretamente. A democracia fica mais fortalecida quando se tem a participação de mais pessoas no processo eleitoral. Cada pessoa é responsável por isso, indo votar. Essa responsabilidade não deve ser delegada para outras pessoas.

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