Pular para o conteúdo principal

Arrecadação, gastos, investimentos e juros pagos pelo governo


O nível da saúde financeira do Estado brasileiro pode ser medido pela qualidade de seus gastos, com que está gastando, do nível da dívida pública e também dos investimentos realizados pelo governo. Há muito tempo que, com a publicação da Lei de Responsabilidade Fiscal o perfil dos gastos públicos nas três esferas de governo tem mudado radicalmente, muito embora ainda persistam muito desperdícios, ineficiência, prática de corrupção e gastos exagerados em algumas áreas e falta acentuada de recursos em algumas áreas essenciais como é o caso da saúde, as finanças públicas no Brasil característica bem diferente do passado.

Uma das formas que o governo utiliza para melhorar os gastos públicos é com a aplicação do chamado superávit primário (receitas menos gastos que não envolvam nem receita e nem gastos financeiros). Atualmente, o superávit primário para o ano de 2012 é esperado em R$ 139,8 bilhões, equivalente a 3,1% do PIB estimado para este ano. A maior parte dessa “poupança” de gastos recai sobre o governo federal, com 2,15% do PIB enquanto que a soma do superávit primário dos estados e municípios deve ser equivalente a 0,9% do PIB. Vale lembrar que o setor público envolve todas as áreas do setor público incluindo as empresas estatais exceto as empresas do grupo Petrobrás, Eletrobrás e os bancos públicos.

Se por um lado o governo está fazendo uso dos recursos de uma forma um pouco mais racional, por outro lado, o nível da arrecadação dos recursos públicos está muito alto, sendo, inclusive, objeto de reclamação de vários setores da economia. Em 2011, foi arrecadado em tributos o valor de R$ 1,447 trilhão, equivalente a 34,9% do PIB. De todo esse valor, o governo federal foi o responsável por 68,28%, os estados por 25,81% e os municípios por 5,9%. Observa-se que de cada dez reais pagos em tributos no Brasil, o governo federal é responsável por quase sete reais. Embora muitos dos recursos arrecadados na esfera federal vão para os governos estaduais e municipais por meio de convênios e fundos de participação, a concentração nas mãos do governo federal de grande parte dos recursos arrecadados por tributos pode não se configurar como uma boa medida de alocação de recursos entre os entes públicos no país.

A dívida pública bruta do setor público no Brasil, excluindo o grupo Petrobras e do grupo Eletrobrás é equivalente a 56,3% do PIB, sendo que a interna é de 53,8% do PIB e a externa de 2,5% do PIB. Ao extrair os ativos financeiros do governo (dívida a receber, reservas do banco central, empréstimos do tesouro nacional, etc.) da dívida bruta tem-se a dívida líquida do setor público. Atualmente, a dívida líquida do setor público está em 36,6% do PIB. Independente do percentual da dívida em relação ao PIB, o que mais afeta as finanças públicas do país contribuindo, inclusive, para a falta de recursos para investimentos públicos é a enorme soma de recursos despendidos todos os anos para o pagamento de juros dessa dívida. Nos últimos doze meses terminados em março de 2012, o setor público brasileiro gastou o equivalente a 5,81% do PIB em juros nominais.

Para se ter uma noção mais clara disso, basta comparar todos o investimentos do setor público brasileiro em construção e reforma de portos, aeroportos, estradas, escolas, hospitais, compra de móveis, equipamentos, etc. por ano não chega a 2,5% do PIB. Para o país ter o desenvolvimento adequado é necessário que haja um forte investimento, tanto por parte do setor privado como por parte do setor público. Observa-se claramente que os altos valores que o governo paga de juros inibem a realização de investimentos por parte do setor público que tanto a sociedade brasileira necessita.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tiraram a Dilma e o Brasil ficou sem direitos e sem soberania

Por Gleissi Hoffimann, no 247 Apenas um ano após o afastamento definitivo da presidenta Dilma pelo Senado, o Brasil está num processo acelerado de destruição em todos os níveis. Nunca se destruiu tanto em tão pouco tempo. As primeiras vítimas foram a democracia e o sistema de representação. O golpe continuado, que se iniciou logo após as eleições de 2014, teve como primeiro alvo o voto popular, base de qualquer democracia e fonte de legitimidade do sistema político de representação. Não bastasse, os derrotados imediatamente questionaram um dos sistemas de votação mais modernos e seguros do mundo, alegando, de forma irresponsável, “só para encher o saco”, como afirmou Aécio Neves, a ocorrência de supostas fraudes. Depois, questionaram, sem nenhuma evidência empírica, as contas da presidenta eleita. Não faltaram aqueles que afirmaram que haviam perdido as eleições para uma “organização criminosa”. Essa grande ofensiva contra o voto popular, somada aos efeitos deletérios de ...

Colunista do Globo diz que Bolsonaro tentará golpe violento em 7 de setembro. Alguém duvida?

Em sua coluna publicada neste sábado (11) no  jornal O Globo , Ascânio Seleme afirma que, "se as pesquisas continuarem mostrando que o crescimento de Lula se consolida, aumentando a possibilidade de vitória já no primeiro turno eleitoral, Jair Bolsonaro vai antecipar sua tentativa de golpe para o dia 7 de setembro".  I nscreva-se no Canal  Francisco Castro Política e Econom ia "Será uma nova setembrada, como a do ano passado, mas desta vez com mais violência e sem freios. Não tenha dúvida de que o presidente do Brasil vai incentivar a invasão do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. De maneira mais clara e direta do que em 2021. Mas, desde já é bom que ele saiba que não vai dar certo. Pior. Além de errado, vai significar o fim de sua carreira política e muito provavelmente o seu encarceramento", afirmou Seleme.  O colunista lembrou que, "em 7 de setembro do ano passado, Bolsonaro chamou o ministro Alexandre de Moraes de canalha, disse que n...

Pesquisa Vox Populi mostra o Haddad na liderança com 22% das intenções de votos

Pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta quinta (13) indica: Fernando Haddad já assume a liderança da corrida presidencial, com 22% de intenção de votos. Bolsonaro tem 18%, Ciro registra 10%, Marina Silva tem 5%, Alckmin tem 4%. Brancos e nulos somam 21%. O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 121 municípios entre 7 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O índice de confiança chega a 95%. O nome de Haddad foi apresentado aos eleitores com a informação de que é apoiado por Lula. Veja no quadro: Um pouco mais da metade dos entrevistados (53%) reconhece Haddad como o candidato do ex-presidente. O petista, confirmado na terça-feira 11 como o cabeça de chapa na coligação com o PCdoB, também é o menos conhecido entre os postulantes a ocupar o Palácio do Planalto: 42% informam saber de quem se trata e outros 37% afirmam conhece-lo só de nome. O petista chega a 31% no Nordeste e tem seu pior desempenho na região Sul (11%), me...