Pular para o conteúdo principal

Porque os juros são tão altos no Brasil e o que isso causa ao país?

Os juros são um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento e o crescimento de um país. Em um país onde as taxas de juros são altas causam transtornos muito grandes para o bom andamento da nação, afetando severamente tanto os agentes privados quanto o setor público de um modo geral. Juros altos inibem os investimentos das empresas privadas em razão das taxas de empréstimos serem muito elevadas, o setor público tem que incorrer em pesados gastos para pagamento de juros da sua dívida e as famílias e pessoas em geral passam a comprar menos em razão dos custos das compras a prazo e da expectativa de perda de emprego ou da diminuição dos rendimentos. Esses são apenas alguns dos problemas causados pela política de juros altos.

É sabido que desde a implantação do Plano Real ocorrido em meados de 1994 que os juros básicos da economia brasileira vem se mantendo a um nível muito alto, estando sempre entre os mais altos do mundo e muitas vezes constituindo-se como a mais elevada taxa do planeta. Pode-se se indagar a respeito do motivo da política dos juros no Brasil destoar do que é praticado no mundo inteiro, até mesmo em países cuja economia se constitui em muito mais fraca do que a nossa. Existem muitas explicações à esta questão, entretanto, existem algumas que são desprovidas de argumentos mais elaborados e outras que são bem fundamentadas e que merecem ser aqui destacadas.

Como se sabe, a economia brasileira historicamente passou por diversos momentos de crises e por períodos de inflação muito alta e, inclusive, teve que incorrer em um calote, quando no início da década de 1980 interrompeu por um período o pagamento da sua dívida externa. Tendo logo em seguida sofrido um processo inflacionário que beirou à hiperinflação. Entretanto, os fundamentos da economia brasileira nos últimos anos são totalmente diferentes dos existentes naquela época, os tempos e a dinâmica da economia e da sociedade brasileira são totalmente diferentes. Muitos acreditam que essa história de problemas sérios na nossa economia sirva como argumento que justificam os juros altos no Brasil.

Mas os pontos fundamentais que explicam, de fato, os juros tão altos no Brasil são a baixa taxa de poupança existente no Brasil, o domínio do sistema financeiro sobre o investimento produtivo, onde o governo perde em parte o domínio sobre o mecanismo dos juros existentes no mercado brasileiro, o modelo e a forma como a cardeneta de poupança é remunerada, a administração da dívida pública e o modelo econômico implantado a partir de 1999. Esses são os fatores mais importantes que explicam o porquê a taxa de juros básica no Brasil não é, por exemplo, 6 ou 7% ao ano. O modelo em que a economia brasileira é gerida e mais alguns fatores que dependem de gestão ou de mudanças na legislação, no caso da remuneração da poupança, deve ser alterado para deixar o país pronto para viver com taxas de juros iguais ou muito próximo das que são praticadas em  países civilizados.

O Brasil desperdiçou muito tempo, riqueza e esforços praticando juros em nível muito mais alto do que deveria existir se a gestão pública fosse condizendo com o que a sociedade brasileira deseja e necessita. Os juros altos fazem com que o mercado financeiro sempre leve vantagens sobre o mercado produtivo. Essa situação tem que mudar. Por conta desses juros tão altos muitos investimentos deixaram de ser realizados, levando a nossa economia ter vários gargalos que impedem que cresça a taxas mais altas sem incorrer em problemas que levam ao aumento da inflação.  Além disso, parte substancial dos pesados impostos que os cidadãos e empresas pagam ao setor público é direcionada para pagar os pesados juros da dívida pública em razão do nível muito alto dos juros básicos existentes nos últimos 16 anos.  A economia, as empresas e os cidadãos brasileiros clamam para que os juros sejam justos e adequados a um crescimento da nossa economia com geração de renda e riqueza para todos, não só para o mercado financeiro e mais alguns que ganham com a existência de juros altos.

Comentários

  1. Parabéns pelo texto! A falta de vontade política também não seria um dos motivos para essa elevação das taxas de juros, talvez?

    ResponderExcluir
  2. Legal esse agregador toneladas. Vc poderia postar mais informações a respeito. Eu estou interessado.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Veja quanto o juiz Sérgio Moro ganha. É dinheiro que muito poucos brasileiros ganham

Qualquer cidadão pode fazer a pesquisa no site do TRF-4. Veja abaixo. Não há aqui imputação de crime ao juiz. Mas Moro acha compatível receber remuneração muito acima do teto legal, no momento em que é transformado no “super-herói” da moralidade nacional? Rodrigo Vianna, via  Revista Fórum  em 26/8/2015 Quanto ganha o juiz que foi transformado em “herói nacional” pela Globo e pela Veja ? Apontado como moralizador da pátria, Sérgio Fernando Moro não é um super-herói. Mas um funcionário público. Deveria submeter-se às regras que valem para todos. É assim, também, que se combate corrupção: com respeito às regras. Sem escândalo. Todos os dias, todos os meses. E não apenas à frente dos holofotes midiáticos. Os advogados apontam inúmeras tropelias do magistrado: na Lava-Jato, dizem os juristas  (clique aqui para saber mais) , Moro atropela regras e impõe humilhações aos réus – tudo em nome do ideal da “moralidade pública”. Mas parece haver mais que isso… ...

Pesquisa Vox Populi mostra o Haddad na liderança com 22% das intenções de votos

Pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta quinta (13) indica: Fernando Haddad já assume a liderança da corrida presidencial, com 22% de intenção de votos. Bolsonaro tem 18%, Ciro registra 10%, Marina Silva tem 5%, Alckmin tem 4%. Brancos e nulos somam 21%. O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 121 municípios entre 7 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O índice de confiança chega a 95%. O nome de Haddad foi apresentado aos eleitores com a informação de que é apoiado por Lula. Veja no quadro: Um pouco mais da metade dos entrevistados (53%) reconhece Haddad como o candidato do ex-presidente. O petista, confirmado na terça-feira 11 como o cabeça de chapa na coligação com o PCdoB, também é o menos conhecido entre os postulantes a ocupar o Palácio do Planalto: 42% informam saber de quem se trata e outros 37% afirmam conhece-lo só de nome. O petista chega a 31% no Nordeste e tem seu pior desempenho na região Sul (11%), me...

Tiraram a Dilma e o Brasil ficou sem direitos e sem soberania

Por Gleissi Hoffimann, no 247 Apenas um ano após o afastamento definitivo da presidenta Dilma pelo Senado, o Brasil está num processo acelerado de destruição em todos os níveis. Nunca se destruiu tanto em tão pouco tempo. As primeiras vítimas foram a democracia e o sistema de representação. O golpe continuado, que se iniciou logo após as eleições de 2014, teve como primeiro alvo o voto popular, base de qualquer democracia e fonte de legitimidade do sistema político de representação. Não bastasse, os derrotados imediatamente questionaram um dos sistemas de votação mais modernos e seguros do mundo, alegando, de forma irresponsável, “só para encher o saco”, como afirmou Aécio Neves, a ocorrência de supostas fraudes. Depois, questionaram, sem nenhuma evidência empírica, as contas da presidenta eleita. Não faltaram aqueles que afirmaram que haviam perdido as eleições para uma “organização criminosa”. Essa grande ofensiva contra o voto popular, somada aos efeitos deletérios de ...