Pular para o conteúdo principal

A previdência do servidor público é o maior desafio do governo


A situação da previdência do setor privado está crítica, mas a do servidor público está muito mais, necessitando de mudanças radicais para que deixe de ser um ônus pesadíssimo para as finanças públicas do Brasil. Evidentemente, os funcionários públicos possuem uma relação bem diferente dos empregados do setor privado tais como não poderem acumular mais de um emprego ou participar do capital de alguma empresa, entretanto, a disparidade, em termos dos valores dos proventos de aposentadoria e pensão, entre os beneficiários dos dois setores é muito grande.

Desde a promulgação da Constituição de 1988, foram aprovadas e promulgadas algumas normais jurídicas em que estabelecem diretrizes para os empregados do setor público em termos de aposentadoria. As principais que fazem referência direta ao Regime Próprio da Previdência Social (RPPS) foram a Lei 9.717/1998, de 1.998, a Emenda Constitucional EC 20/1998, de 1.998 e a Emenda Constitucional EC 41/2003, de 2.003. As duas primeira estabeleceram que deveria ser criado o RPPS para os empregados da União, Estados e Municípios, independente do Regime Geral, mas com as mesmas contrapartidas previstas neste último.

Em 2003, por meio da EC 41/2003, estabeleceu-se que o valor das aposentadorias dos empregados públicos corresponderia a 80% dos maiores salários, as pensões seriam reduzidas em 30% do valor que excedesse ao teto auferido pelos beneficiários do Regime Geral e que os reajustes seriam de acordo com a inflação. Entretanto, para que essas mudanças ocorressem seria necessário que os entes da federação criassem um sistema de aposentadoria complementar nos moldes que existem nas empresas estatais e muitas outras empresas. O grande problema é que até o momento nenhum ente aprovou tal sistema. Nem mesmo o governo federal foi capaz de aprovar. Assim, o sistema continua como era antes da aprovação dessas leis, as pessoas que entram no sistema possuem os mesmos direitos dos funcionários que já fazem parte dos quadros de funcionários públicos.

Em 2009, existiam 3,34 milhões de aposentados e pensionistas no RPPS, sendo que deste total, 55% pertenciam aos Estados, 28% à União e 17% aos Municípios. Naquele ano, o sistema gerou um déficit de 2,1% do PIB (Produto Interno Bruto), arrecadou R$ 71,5 bilhões e pagou aos beneficiários R$ 142,2 bilhões, ficando um rombo de R$ 70,7 bilhões. Vale ressaltar que nesse mesmo ano, os beneficiários pertencentes à União, que são um pouco mais de um quarto do total dos beneficiários, foram responsáveis por 65% do déficit na previdência do setor público. Mesmo dentro da própria esfera federal existe uma divergência muito grande em termos de valores. Enquanto que a média dos proventos dos beneficiários do governo federal, em valores do final de 2010, era R$ 3.511,00, a média do legislativo federal era de R$ 17.306,72 e a do judiciário federal era de R$ 14.717,21.

A previdência do empregados do setor público brasileiro é uma das áreas mais sensíveis para as contas públicas. É preciso que os entes da federação tenham isso como um grande desafio a ser vencido. Sabemos que existem muitas barreiras a serem vencidas, notadamente aqueles que vêem nessa mudança alguma possibilidade de diminuição em seus ganhos mensais. É lamentável que nem mesmo a União conseguiu estabelecer o Fundo de Previdência Complementar dos seus funcionários, que é pré-requisito para que a legislação aprovada tenha validade quanto à mudança no padrão de despesas do setor público com a aposentadoria dos seus empregados. Não se pode fazer das dificuldades em mudar a justificativa em manter esse sistema extremamente caro, concentrador de renda e altamente prejudicial á sociedade brasileira.

Comentários

  1. Via agora que fizeste uma postagem sobre o RPPS, verdade inconveniente- "média dos proventos dos beneficiários do governo federal, em valores do final de 2010, era R$ 3.511,00, a média do legislativo federal era de R$ 17.306,72 e a do judiciário federal era de R$ 14.717,21." enquanto do RGPS deve estar em menos de R$ 700,00 a media dos beneficios... está em quanto do PIB o deficit do RPPS?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Veja quanto o juiz Sérgio Moro ganha. É dinheiro que muito poucos brasileiros ganham

Qualquer cidadão pode fazer a pesquisa no site do TRF-4. Veja abaixo. Não há aqui imputação de crime ao juiz. Mas Moro acha compatível receber remuneração muito acima do teto legal, no momento em que é transformado no “super-herói” da moralidade nacional? Rodrigo Vianna, via  Revista Fórum  em 26/8/2015 Quanto ganha o juiz que foi transformado em “herói nacional” pela Globo e pela Veja ? Apontado como moralizador da pátria, Sérgio Fernando Moro não é um super-herói. Mas um funcionário público. Deveria submeter-se às regras que valem para todos. É assim, também, que se combate corrupção: com respeito às regras. Sem escândalo. Todos os dias, todos os meses. E não apenas à frente dos holofotes midiáticos. Os advogados apontam inúmeras tropelias do magistrado: na Lava-Jato, dizem os juristas  (clique aqui para saber mais) , Moro atropela regras e impõe humilhações aos réus – tudo em nome do ideal da “moralidade pública”. Mas parece haver mais que isso… ...

Pesquisa Vox Populi mostra o Haddad na liderança com 22% das intenções de votos

Pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta quinta (13) indica: Fernando Haddad já assume a liderança da corrida presidencial, com 22% de intenção de votos. Bolsonaro tem 18%, Ciro registra 10%, Marina Silva tem 5%, Alckmin tem 4%. Brancos e nulos somam 21%. O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 121 municípios entre 7 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O índice de confiança chega a 95%. O nome de Haddad foi apresentado aos eleitores com a informação de que é apoiado por Lula. Veja no quadro: Um pouco mais da metade dos entrevistados (53%) reconhece Haddad como o candidato do ex-presidente. O petista, confirmado na terça-feira 11 como o cabeça de chapa na coligação com o PCdoB, também é o menos conhecido entre os postulantes a ocupar o Palácio do Planalto: 42% informam saber de quem se trata e outros 37% afirmam conhece-lo só de nome. O petista chega a 31% no Nordeste e tem seu pior desempenho na região Sul (11%), me...

Tiraram a Dilma e o Brasil ficou sem direitos e sem soberania

Por Gleissi Hoffimann, no 247 Apenas um ano após o afastamento definitivo da presidenta Dilma pelo Senado, o Brasil está num processo acelerado de destruição em todos os níveis. Nunca se destruiu tanto em tão pouco tempo. As primeiras vítimas foram a democracia e o sistema de representação. O golpe continuado, que se iniciou logo após as eleições de 2014, teve como primeiro alvo o voto popular, base de qualquer democracia e fonte de legitimidade do sistema político de representação. Não bastasse, os derrotados imediatamente questionaram um dos sistemas de votação mais modernos e seguros do mundo, alegando, de forma irresponsável, “só para encher o saco”, como afirmou Aécio Neves, a ocorrência de supostas fraudes. Depois, questionaram, sem nenhuma evidência empírica, as contas da presidenta eleita. Não faltaram aqueles que afirmaram que haviam perdido as eleições para uma “organização criminosa”. Essa grande ofensiva contra o voto popular, somada aos efeitos deletérios de ...