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A desigualdade regional de renda no Brasil precisa diminuir


A desigualdade de renda entre as pessoas e as regiões do Brasil é muito acentuada tornando um dos fatores preponderantes que dificultam a sustentabilidade e a eficácia de um processo de desenvolvimento econômico e social em nosso país. Políticas públicas consubstanciadas em investimentos públicos e ações que elevem os investimentos privados nas regiões mais desfavorecidas se tornam prioridades para o governo. O que deve ser feito para diminuir tamanha disparidade? Quais ações o governo deve realizar para que o Brasil seja menos desigual em termos de renda regional?


O governo federal que assumiu em 2011 e os governos estaduais que também tiveram início de seus mandatos neste ano estão em fase de preparação dos seus PPAs (Plano Plurianual) que irão traçar as diretrizes das ações do governo para o período de 2012 a 2015. Nesse plano, o governo federal e os governos estaduais terão que apresentar as prioridades nas quais os recursos públicos serão direcionados. É neste momento que devem ser pensado o Brasil como um todo, notadamente com referência ao PPA do governo federal. As diretrizes do governo devem ser traçadas para ações que façam com que a desigualdade entre as regiões do Brasil seja cada vez menor. É inadmissível tolerar tamanha diferença de renda média entre as pessoas que moram em um mesmo país.


A renda per capita das pessoas que moram no Nordeste brasileiro é menos da metade da renda per capita do Brasil, em 2008 a renda por pessoas no Nordeste era 46,8% da verificado no Brasil. Isso é vergonhoso e triste para quem quer ver o seu país rico e desenvolvido. Apesar dos esforços que se tem dado nos últimos anos, essa proporção é igual a que se verificava no começo dos anos 1960, há 50 anos. É muito provável que essas políticas evitaram que a diferença aumentasse e produzisse um quadro ainda mais vergonhoso. Mesmo com o PIB do Nordeste nos últimos dez anos tenha crescido em termos de meio ponto percentual acima da média do Brasil o fosso que separa a renda média entre o Nordeste e chamado Centro-Sul, constituído pelo Sudeste e o Sul, é muito grande.


O caminho a ser percorrido é longo, doloroso e cheio de desafios e obstáculos. Mas, os governantes não podem e nem devem vacilar. É preciso que metas sejam traçadas e políticas implantadas para que a produtividade e os rendimentos das pessoas que vivem no Nordeste e no Norte sejam compatíveis com a média do Brasil. O foco tem que ser obter um crescimento econômico nessas duas regiões superior à média do Brasil. Este é um excelente momento para que o governo trace com uma grande meta, evidentemente que irá ultrapassar o período do PPA, que poderia ser estabelecer que daqui a vinte anos a renda per capita do Nordeste seja dois terços da brasileira. Para que esse objetivo seja conseguido é necessário que a economia nordestina cresça a uma taxa que seja em torno de 2,2 pontos percentuais superiores ao verificados nos últimos anos, considerando que a economia brasileira continue crescendo à mesma taxa da verificada em anos anteriores.


Um país que quer ser rico e poderoso não pode deixar que uma área muito grande e dezenas de milhões de pessoas tenham uma renda muito inferior à média das pessoas desse país. Os agentes públicos, notadamente aqueles que podem agir para mudar essa situação, precisam tomar medidas que levem a uma uniformidade nos rendimentos das pessoas. A balança não pode pender somente para um lado do país. Com os altos investimentos públicos e privados que ocorrerão no Sudeste em razão de eventos esportivos, pré-sal, trem de alta velocidade, entre outros, são fatores que por um lado aumentam a renda média na região mais rica do país, por outro, torna o desafio de elevar a renda per capita do Nordeste para um patamar próximo da média brasileira uma tarefa muito mais difícil. De qualquer forma, o desafio de construir um país mais justo e menos desigual está lançado.

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