Pular para o conteúdo principal

Há seriedade nas compras do governo por pregão eletrônico?


O governo rotineiramente realiza compras tanto de produtos quanto de serviços para manter a máquina pública funcionando a todo vapor para atender as demandas da população. Uma das formas de se realizar essas compras é por meio do pregão eletrônico, modalidade de compra do governo que é realizada utilizando o ferramental da internet e que foi instituído no final de 2000. A sua implementação foi realizada para facilitar e deixar mais barato o processo de compras e contratações do governo federal no que se referem a produtos e serviços de uso comum.

A primeira norma jurídica a estabelecer essa forma de compra foi o Decreto 3.697, de 21 de dezembro de 2000, em seguida veio a Lei10.520/2002, de 17 de julho de 2002 e depois o Decreto 5.450, de 31 de maio de 2005. Este último decreto, estabeleceu, entre muitas outras providências, que o pregão eletrônico se estabelecesse como a forma de licitação padrão em todas as áreas do governo federal.

Evidentemente, com essa nova forma de licitação, caso seja bem conduzida e os trâmites e os procedimentos sejam respeitados, é, sem dúvida, uma forma altamente vantajosa tanto para as empresas que querem vender ao governo como, principalmente, para o próprio governo. Os custos de deslocamentos dos licitantes, a impressão de pilhas e pilhas de papel, a ocupação de espaço para a realização de reuniões, que as outras modalidades de licitação exigem, deixam de existir com o pregão eletrônico. Tanto o fornecedor quanto o funcionário do governo responsável ficam em suas próprias mesas muitas vezes a centenas de quilômetros de distancia realizando as tarefas por meio do computador.

Além das facilidades mencionadas acima, entende-se que o pregão eletrônico pode inibir significativamente a incidência de corrupção e outros tipos de desperdícios e espertezas contra os recursos públicos. Para o setor público, até o momento não existe outra forma mais prática e mais vantajosa. Será que também é vantajoso para as empresas que vendem para o governo?

Em recente reportagem da revista Isto É, o brilhante jornalista Lúcio Vaz realizou uma investigação onde apurou que existe disponível no mercado mecanismo que “engana” o sistema de compras eletrônicas do governo, fazendo com que o licitante que possua esse mecanismo quase sempre saia vencedor do pregão eletrônico. Isso, segundo apurou o jornalista, tem feito muitas vítimas entre os que vendem para o governo. O chamado robô tem como tarefa cobrir em fração de segundo a última proposta em um valor com uma diferença previamente determinada. Essa pratica, aparentemente não afeta os cofres públicos porque os preços oferecidos pelo robô são sempre menores que o último lance, entretanto fica uma série de licitantes prejudicados e a seriedade do certame fica seriamente comprometida, o que por si só justifica a condenação dessa prática.

É necessário que sejam implementadas ações de melhoria, em termos técnicos, nos procedimentos do pregão eletrônico para evitar esses problemas. Ao mesmo tempo, é importante que outros órgãos das esferas de governos estaduais e municipais passem a realizar o pregão eletrônico na maior parte de suas compras. Atualmente, mesmo após dez anos do início dessa modalidade no governo federal, essa forma de compras não é realizada de forma generalizada em grande parte dos municípios brasileiros. Deve-se ampliar significativamente o uso de pregão eletrônico nas compras públicas e punidas qualquer ação que objetivem levar vantagem nesse processo. A seriedade, a transparência, a igualdade de oportunidade e a eficiência são princípios que sempre devem estar presentes em todas as transações comerciais envolvendo um ente público e um ente privado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Veja quanto o juiz Sérgio Moro ganha. É dinheiro que muito poucos brasileiros ganham

Qualquer cidadão pode fazer a pesquisa no site do TRF-4. Veja abaixo. Não há aqui imputação de crime ao juiz. Mas Moro acha compatível receber remuneração muito acima do teto legal, no momento em que é transformado no “super-herói” da moralidade nacional? Rodrigo Vianna, via  Revista Fórum  em 26/8/2015 Quanto ganha o juiz que foi transformado em “herói nacional” pela Globo e pela Veja ? Apontado como moralizador da pátria, Sérgio Fernando Moro não é um super-herói. Mas um funcionário público. Deveria submeter-se às regras que valem para todos. É assim, também, que se combate corrupção: com respeito às regras. Sem escândalo. Todos os dias, todos os meses. E não apenas à frente dos holofotes midiáticos. Os advogados apontam inúmeras tropelias do magistrado: na Lava-Jato, dizem os juristas  (clique aqui para saber mais) , Moro atropela regras e impõe humilhações aos réus – tudo em nome do ideal da “moralidade pública”. Mas parece haver mais que isso… ...

ÍNDICE DE PREÇOS É UMA BOA MEDIDA DE INFLAÇÃO?

Os índices de preços são de bastante interesse para as mais diversas pessoas, seja pobre ou rica, do Sul ou do Norte, velha ou nova, enfim, para todos aqueles que realizam compras periodicamente ou trabalham porque é uma forma de medida de desvalorização do poder de compra da moeda, do dinheiro. É uma medida aproximada de quanto foi a inflação em um determinado período. Também é de grande interesse do governo porque conforme os preços médios começam a subir ou a descer o governo realiza ações para ajustar a economia e os índices de preços são de grande valia para as autoridades que cuidam da economia realizarem tais ações. No Brasil até meados da década de 1990 a variação dos preços era constante e alta, em razão disso existiam várias medidas de índice preços, cada qual utilizando uma metodologia diferente. Com a implantação do Plano Real em julho de 1994, os preços passaram a variar muito menos, mas mesmo assim ainda existem várias medidas de inflação no país. Com a mudança d...

GASTOS SOCIAIS DO GOVERNO FEDERAL EM 2007

Muito se ouve falar que o nosso povo é muito carente e que a distribuição de renda em nosso país é muito perversa, o que reforça ainda mais a necessidade de atenção do governo federal nas áreas sociais. Em julho passado, o IPEA publicou um trabalho no qual são relacionados os gastos do governo nas áreas sociais em 2007. É importante que se verifique que excluindo os gastos da Previdência Social (mesmo porque apesar de ter uma relevância social muito grande, dependendo da Região, é de natureza fiscal diferente dos outros gastos) os gastos nas outras áreas sociais são insignificantes para atender todas as necessidades do nosso País. No ano de 2007, o governo federal gastou com áreas considerada sociais cerca de R$ 340 bilhões, correspondendo a 40,3% do seu orçamento e a 13,3% do PIB. Em termos percentuais, esses gastos foram os seguintes: Ministério da Previdência Social – 56,2%, Ministério da saúde – 14,5%, Ministério do trabalho e Emprego – 9,0%, Ministério da Educação – 8,4%, Ministér...