Pular para o conteúdo principal

Você sabe de quanto é e como é composta a dívida pública brasileira?

O governo deve muito e paga muito por sua dívida, tanto em juros como em amortização (pagamento da própria dívida). Por isso, muito dinheiro que deveria ser destinado para atender às pessoas em áreas como saúde, educação, infra-estrutura, etc. é direcionado para pagar os juros e o principal dessa dívida. Será que isso está certo? Não seria melhor alterar o modo como é gerida a política monetária em nosso país para que a arrecadação dos contribuintes passe a servir melhor para atender às necessidades dos brasileiros?


Ao final de 2008, o governo em seus três níveis (União, Estados, Municípios, Distrito Federal e o INSS) tinha uma dívida total de R$ 1,74 trilhão. A dívida líquida (que é a dívida bruta menos o que o governo tem a receber, tem disponível em caixa, aplicado nos bancos e as reservas do Banco Central) era de R$ 1,07 trilhão. Em termos de PIB (Produto Interno Bruto), a dívida bruta era 58,6% e a líquida era 36,0%. A dívida pública do setor público é a soma da dívida interna e da dívida externa. A dívida interna líquida ao final de dezembro de 2008 era de R$ 1,49 trilhão, a diferença entre os valores da dívida líquida e a dívida interna líquida é a dívida externa (lembre que aqui estamos tratando apenas de dívida pública). A dívida pública externa do Brasil é negativa em R$ 419 bilhões, graças ás reservas do Banco central que em reais do final de dezembro último era de cerca de R$ 483 bilhões. Assim, a dívida externa pública há bastante tempo que deixou de ser um problema para as nossas finanças públicas, o nosso grande problema atualmente é a dívida interna líquida que corresponde a cerca de 49% do PIB.


A dívida líquida está distribuída da seguinte forma quanto à participação de cada ente: 71,08% é do governo federal (R$ 736 bilhões), -2,98% do Banco Central (- R$ 32 bilhões - o Banco Central tem muito mais a receber do que ele deve), 33,62% dos governos estaduais (R$ 359,6 bilhões), 5,18% dos municípios (R$ 55 bilhões), -10,11% das estatais federais (- R$ 108,1 bilhões – é esse valor que as estatais federais têm a mais a receber ou em caixa e em bancos em relação à sua dívida total), 2,86% das estatais estaduais (R$ 30,6 bilhões) e 0,35% das estatais municipais (R$ 3,79 bilhões). Em 2008, o setor público brasileiro pagou R$ 167,2 bilhões de juros sobre a dívida interna e recebeu cerca de R$ 4,8 bilhões a título de juros das aplicações no exterior.


A dívida pública na magnitude atual é nociva para a economia e para a sociedade por diversos motivos. Entre os principais motivos podem-se mencionar a diminuição de crédito para o setor privado, porque como o setor público tem uma dívida alta, uma parte significativa do crédito disponível no país é direcionada para o setor público. Outro motivo é que uma parte bastante significativa da arrecadação do setor público é dirigida para o pagamento dos juros e outros serviços da dívida. Temos países que têm nível de dívida pública até maior do que o nosso país, entretanto, os juros pagos são muito inferiores ao que nós pagamos. Enquanto em 2008 a taxa média de juros que o setor público brasileiro pagou por sua dívida foi de 15,2%, a taxa média paga pelas dívidas dos países mais ricos foi em torno de 3% ao ano nesse mesmo ano.


O grande problema do Brasil é que vinha com um passado de níveis de inflação muito alto e que por meio da chamada indexação (em que os preços das mercadorias, os contratos, salários, etc. eram reajustados automaticamente conforme a variação de preços em geral), a sociedade brasileira se acostumou a conviver o aumento de preços. Com o Plano Real, teve-se êxito em debelar esse mal que afligia a nossa economia, mas para dá credibilidade e sustentabilidade ao plano o governo foi obrigado a conviver com altas taxas de juros em todos os anos desde então, em alguns momentos mais altas do que em outros mas sempre muito mais alta do que nos outros países. O resultado é que apesar de termos conseguido debelar definitivamente a inflação, estamos com um peso enorme em juros derivados de uma dívida muito alta e de uma taxa de juros extremamente alta. Essa situação tem que ser revertida o mais rapidamente possível, sob pena de termos que conviver com uma alta carga tributária, serviços públicos ineficientes e uma transferência muito alta de renda para o setor financeiro e para quem tem título da dívida do governo por um período bastante prolongado.

Comentários

  1. Francisco

    Muito bom esse post!
    A divida pública é um ralo por vasa a saúde financeira do país

    ResponderExcluir
  2. Francisco este números me deixam até meio tonto. O pior é que cada vez crescem mais e o povo...

    ResponderExcluir
  3. FRANCISCO

    AGRADEÇO ELOGIO NO MEU BLOGGER

    OS NÚMEROS ESTÃO AUMENTANDO E NÃO VEJO A MESMA PROPORÇÃO EM INVESTIMENTOS.

    ISSO É LAMENTÁVEL.

    ABRAÇOS

    ResponderExcluir
  4. Tô pasma! Não sabia de nada disso.

    ResponderExcluir
  5. Obrigada pelo comentário...
    seu blog também é bem legal
    muito inteligente...

    Bye

    ResponderExcluir
  6. Olá, vim retribuir a visitinha... e dizer que esse seu espaço vai me ajudar mto a compreender melhor sobre economia,finaças! Gostei!

    ResponderExcluir
  7. gostei do blog vou seguir vc..quanto a divida como disse o colega fiquei tonta com tantos números a perqunta é a seguinte será que um dia ficaremos livre dela.?

    ResponderExcluir
  8. Esse é o retrato do nosso Brasil. Tem muitas empresas fingindo entregar produtos e serviços e muitas administrações públicas fingindo receber. O resultado dessa arte miserável de desvios são as dívidas e seus juros decorrentes, transformados em dívida fundada pra ficar de cara limpa só perante o Tribunal de Contas, e o povão...que se fodam na miséria.

    ResponderExcluir
  9. Otimo texto, bastante esclarecedor.
    Será q vc poderia postar dpois um balanço daquilo q é contingenciado no orçamento público em virtude do pagamento e compromissos com a dívida pública?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Veja quanto o juiz Sérgio Moro ganha. É dinheiro que muito poucos brasileiros ganham

Qualquer cidadão pode fazer a pesquisa no site do TRF-4. Veja abaixo. Não há aqui imputação de crime ao juiz. Mas Moro acha compatível receber remuneração muito acima do teto legal, no momento em que é transformado no “super-herói” da moralidade nacional? Rodrigo Vianna, via  Revista Fórum  em 26/8/2015 Quanto ganha o juiz que foi transformado em “herói nacional” pela Globo e pela Veja ? Apontado como moralizador da pátria, Sérgio Fernando Moro não é um super-herói. Mas um funcionário público. Deveria submeter-se às regras que valem para todos. É assim, também, que se combate corrupção: com respeito às regras. Sem escândalo. Todos os dias, todos os meses. E não apenas à frente dos holofotes midiáticos. Os advogados apontam inúmeras tropelias do magistrado: na Lava-Jato, dizem os juristas  (clique aqui para saber mais) , Moro atropela regras e impõe humilhações aos réus – tudo em nome do ideal da “moralidade pública”. Mas parece haver mais que isso… ...

ÍNDICE DE PREÇOS É UMA BOA MEDIDA DE INFLAÇÃO?

Os índices de preços são de bastante interesse para as mais diversas pessoas, seja pobre ou rica, do Sul ou do Norte, velha ou nova, enfim, para todos aqueles que realizam compras periodicamente ou trabalham porque é uma forma de medida de desvalorização do poder de compra da moeda, do dinheiro. É uma medida aproximada de quanto foi a inflação em um determinado período. Também é de grande interesse do governo porque conforme os preços médios começam a subir ou a descer o governo realiza ações para ajustar a economia e os índices de preços são de grande valia para as autoridades que cuidam da economia realizarem tais ações. No Brasil até meados da década de 1990 a variação dos preços era constante e alta, em razão disso existiam várias medidas de índice preços, cada qual utilizando uma metodologia diferente. Com a implantação do Plano Real em julho de 1994, os preços passaram a variar muito menos, mas mesmo assim ainda existem várias medidas de inflação no país. Com a mudança d...

GASTOS SOCIAIS DO GOVERNO FEDERAL EM 2007

Muito se ouve falar que o nosso povo é muito carente e que a distribuição de renda em nosso país é muito perversa, o que reforça ainda mais a necessidade de atenção do governo federal nas áreas sociais. Em julho passado, o IPEA publicou um trabalho no qual são relacionados os gastos do governo nas áreas sociais em 2007. É importante que se verifique que excluindo os gastos da Previdência Social (mesmo porque apesar de ter uma relevância social muito grande, dependendo da Região, é de natureza fiscal diferente dos outros gastos) os gastos nas outras áreas sociais são insignificantes para atender todas as necessidades do nosso País. No ano de 2007, o governo federal gastou com áreas considerada sociais cerca de R$ 340 bilhões, correspondendo a 40,3% do seu orçamento e a 13,3% do PIB. Em termos percentuais, esses gastos foram os seguintes: Ministério da Previdência Social – 56,2%, Ministério da saúde – 14,5%, Ministério do trabalho e Emprego – 9,0%, Ministério da Educação – 8,4%, Ministér...